Postado em: 12/09/2015

Mais dois vereadores são detidos em investigação sobre compra de apoio político

Com as prisões, mais da metade dos vereadores da Casa da Cidadania, 8 no total, têm seus nomes envolvidos em crimes como corrupção passiva e ativa e associação criminosa

 Com as prisões, mais da metade dos vereadores da Casa da Cidadania, 8 no total, têm seus nomes envolvidos em crimes como corrupção passiva e ativa e associação criminosa

A operação denominada “Queda d’água” prendeu temporariamente os vereadores Marcílio de Faria e Carlos Alberto Cachoeira, na última quarta-feira 9, que também foram afastados de suas funções, através de decisão deferida pelo juízo Criminal de Araxá. Os vereadores estão sendo investigados pela compra de apoio político na Câmara Municipal, encabeçada por Miguel Junior, o então presidente.

Na quinta-feira 10, os delegados dr. Felipe Cézar Columbari e dr. Conrado Costa da Silva promoveram entrevista coletiva para falar sobre as duas prisões.

Segundo o dr. Felipe, os elementos colhidos durante a investigação apontam a participação dos dois vereadores na compra de apoio político e mais uma vez houve a necessidade da prisão dos vereadores e o afastamento deles do cargo, para que não haja prejuízo nas provas. Ainda segundo o delegado, tudo o que Miguel Júnior falou em depoimento tem se comprovado nos autos, e há duas semanas a Polícia já tinha dito em outras entrevistas que dois vereadores estavam sendo investigados, porém, surgiram novos elementos e provas contra os vereadores Marcílio e Cachoeira. O nome da operação “queda d’água” é em referência ao apelido do vereador Carlos Alberto, o Cachoeira, que foi citado em vários depoimentos durante as investigações. “O vereador Carlos Alberto Cachoeira foi um nome ventilado durante toda a investigação, várias pessoas me perguntando se a investigação não ia chegar nele, e foi uma questão de tempo”, diz o dr. Felipe.

Nos autos do inquérito, Miguel cita Cachoeira e Marcílio como se os dois estivessem envolvidos em um empréstimo consignado que foi pago por Miguel em troca do apoio político deles. Isso segundo a polícia foi comprovado por outras provas. Os vereadores Cachoeira e Marcílio foram ouvidos na sexta-feira e até o fechamento desta edição continuavam detidos no presídio regional de Araxá.

O vereador Romário Picolé foi ouvido na quinta-feira, 10, como testemunha e todos os vereadores devem ser chamados para prestar esclarecimentos. O inquérito que investiga os vereadores é o da compra de apoio político, e pelo o que a polícia tem até hoje, não há a necessidade de prender mais vereadores. Porém, o depoimento do vereador Cachoeira foi aguardado com muita expectativa, pois pode ter revelado mais algumas participações.

O delegado esclareceu ainda sobre o salário dos vereadores afastados, que se condenados, deverão devolver todo o valor que estão recebendo durante este tempo de afastamento.

Outros inquéritos:

A Polícia Civil está com cinco inquéritos em aberto, que apura desvios em entidades e corrupção, são eles: Compra de apoio político, destinações de subvenções para APAE, Associação dos Aposentados e Pensionistas de Araxá, o inquérito mais consistente até agora, apontando que houve pelo menos um mal emprego dos valores exorbitantes que foram repassados no ano passado e fortes indícios de desvio de verbas, e a Associação Co Afro também está sendo investigada.

O delegado dr. Felipe, na entrevista coletiva, ainda desabafou sobre a corrupção em nossa cidade e país: “o que não pode ser aceito é dinheiro de origem ilícita, ainda que em nome do benefício da população, isso não é inconcebível num estado democrático de direito, num estado onde a corrupção tem levado toda a nossa saúde, educação e segurança pro ralo”, declarou. 

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