Postado em: 19/05/2020

Comitê de Enfrentamento à Covid-19 decide pela “não vinda” de 900 trabalhadores da Mosaic para Araxá

“Todo mundo do Comitê está de comum acordo de que neste momento não podemos receber essas pessoas em Araxá”, disse a Secretária de Saúde, Diane Dutra. Além disso, a Secretária e Presidente do Comitê, avaliou o comportamento dos lojistas depois da flexibilização do comércio.

Foto Ilustrativa/Divulgação

A Secretária de Saúde, Diane Dutra, tem enfrentado como ninguém a pandemia em Araxá. Sempre a postos para entrevistas, a gestora que também preside o Comitê de Enfrentamento à Covid-19, tem mostrado conhecimento, jogo de cintura e principalmente cautela nas informações repassadas à imprensa.

Depois de polêmicas nas redes sociais quanto a possível vinda de 900 trabalhadores de uma das maiores produtoras globais de fosfatados e potássio combinados, para manutenção em suas máquinas, ela destacou em entrevista nesta terça-feira (19), que o Comitê não está de acordo com a chegada desses profissionais em plena pandemia. “Quanto à manutenção da empresa na cidade com manutenção de equipamentos trazendo 900 pessoas de fora de Araxá, isso nos preocupa, porque estamos com uma coerência entre a flexibilização do comércio, entre os profissionais de saúde que a gente tem, e a nossa estrutura física e de equipamentos para atender a população. Então, todo mundo do Comitê está de comum acordo de que neste momento não podemos receber essas pessoas em Araxá. É perigoso, pois quebra todo o nosso planejamento e desestrutura a saúde em Araxá. Então, tivemos o cuidado  em deliberar que não concordamos com esta situação. Vamos aguardar que a empresa resolva isso de outra forma, seja adiando essa manutenção, seja tomando outra medida necessária”, disse a Secretária de Saúde.
 

Flexibilização do Comércio
Já em relação ao comércio local, Diane vê com bons olhos o empenho dos comerciantes para a contenção da covid.  “Acabamos de fazer uma reunião com o Comitê de Enfrentamento à Covid em Araxá com o objetivo de discutir a flexibilização do comércio. Nestas duas semanas percebemos o tanto que os comerciantes estão conscientes, aderindo todas as recomendações e estão fazendo o seu melhor para a conscientização da população com todos os cuidados de etiqueta de higiene e uso de máscara e percebemos uma dificuldade na população em aderir a essas determinações que é o mais importante para nós. Notamos aí que se cada um fizer a sua parte, é possível a gente manter e, futuramente, isso vai nos dar condições de aumentar a flexibilização na cidade”, disse.
 

Leitos de UTI
“Estamos hoje com 15 leitos de UTI exclusivos para Covid e 74 leitos de enfermaria. Até no fim de semana estamos com uma taxa de ocupação nos leitos de enfermaria de 40% e, hoje, nós estamos com uma taxa de 20% de ocupação. Então, é importante saber que por isso, nós vamos manter esta flexibilização e vamos observar o dia a dia”, disse a Secretária.


Covid
Segundo o último boletim enviado na última segunda (18) pelo Comitê de Enfrentamento à Covid-19, a cidade possuí 14 casos positivos em monitoramento, 2 óbitos confirmados, 7 CASOS CURADOS e 111  testes foram diagnosticados NEGATIVOS.  Além disso, 15 testes, incluindo óbitos aguardam resultados.  “Continuamos com a nossa avaliação diária, dos nossos leitos, da nossa estrutura e alertando a população da importância do distanciamento social. Flexibilizamos, mas precisamos que as pessoas tenham consciência de que temos que ficar em casa”, finalizou.

 

Mosaic Fertilizantes
Em relação à chegada dos profissionais citados no início desta reportagem, a Mosaic Fertilizantes emitiu uma nota:

A Mosaic Fertilizantes informa que, comprometida com o desenvolvimento de Araxá, está preparando uma parada de manutenção no Complexo Mineroquímico desta cidade, em Minas Gerais, em observação as normas legais vigentes. A atividade, que ocorre anualmente, faz parte de um plano preventivo que foi adiado duas vezes por conta do atual cenário, mas cujo cronograma não pode ser mais alterado por questões de prevenção da saúde e segurança, já que o propósito é garantir o bem-estar dos funcionários e a continuidade das operações. A não realização trará impactos imediatos na operação de algumas unidades industriais e consequente paralisação do complexo. A parada iniciará com um número reduzido de profissionais e irá ocorrer de forma gradual. Serão contratados preferencialmente profissionais de Araxá, via Sine. Tanto os funcionários residentes em Araxá quanto os vindos de outras cidades participarão das atividades de forma distribuída e controlada para minimizar os impactos na cidade.  Não haverá concentração e o pico dos trabalhos está previsto apenas a partir de final de julho e começo de agosto, quando a atividade contará com cerca de 830 pessoas, entre os contratadas em Araxá e também as que virão de outras regiões. A empresa adota uma política de controle da pandemia de COVID-19 em suas unidades no Brasil e, por isso, as empresas contratadas estão sendo orientadas para que todas as medidas preventivas sejam tomadas. Todos os profissionais contratados realizarão testes para o coronavírus antes de saírem de suas cidades de origem. Ao chegar em Araxá, ficarão isolados e em quarentena por um período e, na sequência, farão novos testes. A liberação para o início do trabalho está condicionada à confirmação de ambos os testes negativos. Os moradores de Araxá que forem contratados para a atividades também serão testados antes de executar as atividades. Como parte de seu plano de contingência a empresa contará com profissionais de saúde dedicados para esta parada, além das medidas atuais implementadas que  preveem o controle diário de temperatura para todos  os profissionais (inclusive de terceiros) e outras ações, como aumento na frequência da limpeza dos espaços coletivos, revezamento em turnos para a redução do fluxo de pessoas e o controle de acessos a alojamentos e hotéis onde o efetivo estiver mobilizado. Um plano detalhado com todas as ações previstas foi apresentado com antecedência para a Secretaria de Saúde da cidade. O planejamento foi pautado em uma maior segurança dos empregados – tanto durante a parada quanto no dia a dia –, da planta operacional e das comunidades próximas. A realização da parada resultará na maior segurança de todos os funcionários e  ativos durante os próximos meses de operação, além de evitar possíveis interrupções de emergência e gerar a arrecadação de valores expressivos em impostos para o município. A Mosaic Fertilizantes reforça seu compromisso com seus funcionários e comunidade, enquanto segue firme em sua missão de ajudar o mundo a produzir os alimentos de que precisa. Na qualidade de produtora de produtos essenciais à população, a empresa continua fazendo a sua parte para que não ocorra desabastecimento, já que é a maior produtora nacional do ácido fluossilícico – importante insumo para tratamento de água potável - e atua na produção e comercialização de nutrição animal e fertilizantes,  identificada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e pelo Ministério de Minas e Energia como atividade essencial da cadeia de alimentos” informou a nota.

Mais lidas