Postado em: 29/10/2020

Polícia Civil conclui inquérito sobre compra de votos em Perdizes

Eleitores que participaram do esquema também foram indiciados.

Foto/Redação

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu esta semana o inquérito referente à Operação “Voto de Cabresto” desencadeada em Perdizes-MG  no dia 16 de outubro. Segundo o Delegado Responsável pelo Inquérito – Dr. Rafael Pereira Silva Gallo, os dois assessores e o vice-prefeito daquela cidade foram indiciados pelos crimes de associação criminosa e coação eleitoral. Já no que tange a compra de votos, tendo como moeda de troca materiais de construção, eles foram indiciados por organização criminosa. Neste caso, dois empresários também foram indiciados pelo mesmo crime. Além disso, tanto os assessores, quanto o vice-prefeito, foram indiciados por peculato. Todos os eleitores que foram identificados pela Polícia Civil também foram indiciados por corrupção eleitoral.

Os dados foram repassados para a imprensa em coletiva realizada na sede da 2ª Delegacia Regional de Araxá na manhã desta quinta-feira (29).  


Sobre a operação

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), juntamente com o Departamento Estadual de Operações Especiais da Polícia Civil mineira (DEOEsp PCMG) e o Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais, deflagrou no dia 16 de outubro, uma operação na cidade de Perdizes para combater um grupo criminoso responsável por supostos  crimes eleitorais.

Durante as investigações da operação chamada “Voto de Cabresto”,  foi possível apurar que o referido grupo usava a máquina pública municipal para deturpar o processo eleitoral ao coagir e induzir outros servidores,  em especial funcionários comissionados, a votarem na candidatura do atual vice-prefeito de Perdizes-MG ao cargo de prefeito.

Durante as diligências foi  também  revelado que o vice-prefeito daquela cidade e seus apoiadores forneciam materiais de construção como tijolos, cimento, areia, telhas e portas- para eleitores em troca de voto.

Durante a operação foram cumpridos três mandados de prisão temporária, expedidos em face do vice-prefeito e de dois funcionários da prefeitura, por utilizarem de poder econômico e de influência política para ocultar provas e dificultar as investigações. Também foram cumpridos quinze mandados de busca e apreensão, incluindo buscas na casa de dois vereadores de Perdizes, sendo recolhidos documentos, dinheiro, aparelhos celulares e computadores utilizados no desenvolvimento das atividades ilícitas, as quais,  comprovadamente deturpavam o sistema eleitoral e o livre exercício do voto.  Buscas também foram feitas na Prefeitura Municipal e na Câmara Municipal de Perdizes e, ainda, em dois estabelecimentos comerciais.

Participaram da operação “Voto de Cabresto” mais de vinte policiais civis pertencentes ao Departamento de Polícia Civil de Uberaba-MG e dezoito policiais civis da CORE/PCMG (Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil de Minas Gerais).

O vice prefeito, terceiro alvo da operação, se apresentou na 2ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Araxá, responsável pela Delegacia de Perdizes, no fim da tarde daquele mesmo dia (16 de outubro). Ele estava acompanhado de um advogado.

O nome da operação faz referência ao mecanismo de acesso aos cargos eletivos por meio da compra de voto com a utilização da máquina pública e ainda ao uso de coação e ameaças para que eleitores apoiem determinado candidato.
 

 

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