Segunda Feira, 18 de Dezembro de 2017
 
 
Reaprendendo a Viver: Mães se agrupam para compartilhar a dor da perda de um filho
22-09-2017 | Créditos: Susana Cardoso

Mulheres que tiveram seus filhos mortos por motivos diversos resolveram se reunir em um grupo para se apoiar mutuamente e buscar consolo para a grande dor da perda precoce. Foi assim que nasceu o grupo Reaprendendo a Viver, fundado pela cabeleireira Lígia Abadia de Souza, que há seis anos perdeu o filho de 17 anos por suicídio.

Disposta a romper com o tabu que envolve este tema, e pela necessidade de debater abertamente o assunto com a comunidade, Lígia criou em Araxá há três anos o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção e esclarecimentos sobre o suicídio. Ela então convidou as suas clientes e outras mães que tinham o mesmo objetivo e a primeira reunião aconteceu com a presença de seis pessoas. Hoje são cerca de 26 mães ativas no Reaprendendo a Viver.

“As nossas reuniões são espontâneas, para a gente interagir, bater papo. Não tem um tema específico. Conversamos sobre assuntos diversos, não apenas sobre nossos filhos”, conta a cabeleireira. Ela esclarece que as mães do grupo sofreram perdas generalizadas, não somente por suicídio. “A dor é a mesma, independente da causa. Nosso objetivo é proporcionar conforto a essas mães e reintegrá-las à vida. É muito difícil abordar uma mãe no momento da perda, então nós convidamos através de indicações. Cada uma reage à dor de uma forma diferente, mas todas precisam de apoio e carinho neste momento”, afirma.

Foi neste ato de solidariedade que Lígia teve a iniciativa de criar em Araxá o Setembro Amarelo. Baseada nas estatísticas que dão conta de que em cada dez casos de suicídio, apenas um não é evitável, ela enfrentou o preconceito da sociedade e encarou a tarefa de disseminar os esclarecimentos para que outras famílias não passem pelo que ela passou. A primeira providência foi procurar o vereador Raphael Rios para propor a criação da campanha Setembro Amarelo, a fim de conscientizar a sociedade para a necessidade de prevenção das pessoas que passam por sofrimento mental e manifestam a vontade de tirar a própria vida. O projeto de autoria foi aprovado e sancionado em agosto deste ano.

Logo em seguida, em 1º de setembro, começaram os preparativos para a campanha, com balões amarelos nas Unis, Cras, igrejas e estabelecimentos comerciais. No dia 10, considerado o Dia D da campanha, houve missa alusiva ao evento na Igreja Sagrada Família e carreata pelas ruas centrais. No sábado, 16, os militantes fizeram caminhada da Praça Governador Valadares até o Calçadão, com distribuição de balões e panfletos. O Movimento tem apoio da Secretaria Municipal de Saúde (Saúde Mental), vereador Raphael Rios, igrejas, escolas, clientes, Instituto Katia Paiva, Madeireira do Valle e outros parceiros.

A professora Andreia Souza levou o projeto do Setembro Amarelo para a Escola Estadual Dom José Gaspar e realizou dinâmicas de grupo com os alunos. Segundo ela, as escolas também estão empenhadas em abordar o assunto com os estudantes e estão recebendo psicólogos para conversar com os alunos. No final da programação, dia 1º de outubro, haverá caminhada e corrida no Barreiro, com a participação das academias Mergulho e Martha. Os vencedores receberão medalhas, patrocinadas pela CBMM.

“A campanha ultrapassou as nossas expectativas e ganhou visibilidade”, relata Lígia. “Todo o nosso esforço é no sentido de sensibilizar as pessoas a ouvirem o seu próximo sobre os problemas que o têm afligido, a fim de evitar que ele chegue ao limite das suas forças e resolva dar cabo da própria vida. Também queremos chamar a atenção das autoridades para disponibilizar recursos e políticas públicas para atender a essas vítimas. O serviço público não tem atendimento emergencial para as situações de crise. É preciso haver mais humanidade, porque este é um problema muito difícil para o paciente, a família e os amigos”, desabafa a idealizadora do grupo Reaprendendo a Viver.

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