Quarta-Feira, 18 de Outubro de 2017
 
 
O adeus a Walter Natal
22-09-2017 | Créditos: Susana Cardoso

Quem nunca passou pela Rua Calimério Guimarães, na altura do número 225, no Centro, e se deparou com um antigo armazém, que resistiu a todas as imposições da modernidade e permaneceu até recentemente atendendo ao público com a simplicidade e camaradagem inerentes ao seu proprietário, o estimado Walter Natal?  Nesta semana, o simpático senhor de riso fácil e boa prosa encerrou sua jornada pela vida, aos 88 anos, deixando um legado importante para a história de Araxá.

Ex-jogador de futebol do Najá e Ipiranga, Walter Natal relatava fatos da antiga Araxá dos idos de 1940 e 1950, cidade pacata e tranquila, com poucos habitantes que abasteciam suas casas com as compras feitas no armazém e anotadas na caderneta.

Por trás do balcão da mercearia, desde fevereiro de 1950, Walter Natal assistiu o crescimento chegar e transformar as ruas, o comércio, a indústria, os costumes e a vida das pessoas. Entre queijos, mantimentos e seus bichos de estimação, o simpático ancião contava “causos” e fazia amigos.

A visita do arcebispo geral do Brasil, Dom José Gaspar de Affonseca e Silva, a Araxá, sua terra natal, em 1935, foi um acontecimento que o comerciante gostava sempre de relatar. Bem como outro fato que, segundo ele, foi importante na história da cidade - a visita do ex-presidente da república, Getúlio Vargas, à cidade. Walter se vangloriava de ter sido testemunha ocular destes e de vários outros episódios que marcaram a memória da cidade.

           

O design de interiores araxaense Alberto Radespiel, mesmo morando em Belo Horizonte, segue dedicadamente todos os acontecimentos de Araxá. No dia 19 ele postou um comentário no seu perfil no Facebook sobre o octongenário conterrâneo, que reproduzimos a seguir.

 

Armazém Alegria

O Armazém do Walter Natal poderia ser chamado de Armazém Alegria. E foi com sua alegria, seus casos engraçados e com seu coração de ouro, que ele fez daquele estabelecimento comercial a extensão de sua casa. Ponto de encontro dos amigos, de dedos de prosas, tecendo amizades para a vida inteira.

Ainda muito criança, meus pais já eram fregueses de caderneta do Armazém do Walter. Inúmeras vezes, depois que cresci, bastava faltar um produto lá em casa que eu corria lá a mando de mamãe. O Armazém ficava a quatro quadras de nossa casa, e ir ao Armazém era um acontecimento: bastava entrar para ver aquele sorriso por de trás do balcão. 
            Hoje, com certeza, o mesmo sorriso foi aberto no céu, e provavelmente acontecerão outras reuniões, com tantos queridos que já se foram. Walter Natal será lembrado sempre como um homem generoso, íntegro e principalmente amigo. Será lembrado por muitas histórias e outras estórias, era mestre em criá-las.

À Dona Leda, aos filhos e familiares, nosso abraço de profundo sentimento
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