Segunda Feira, 18 de Dezembro de 2017
 
 
Setembro Amarelo: Campanha envolveu setores da comunidade e superou expectativas
29-09-2017 | Créditos: Susana Cardoso

Setembro vai se despedindo do calendário de 2017, mas a campanha Setembro Amarelo continua com sua programação, que tem por objetivo chamar a atenção da sociedade para a prevenção e esclarecimentos a respeito de um tema tabu: o suicídio. O jornal Correio de Araxá acompanha a movimentação em torno da campanha, pela terceira semana consecutiva, abordando os agentes envolvidos.

Nesta edição, conversamos com o autor do Projeto de Lei N.º 071/2017, que institui o dia 10 de setembro como o “Dia de Combate e Prevenção ao Suicídio” no Calendário Oficial da Cidade, e o mês de setembro como “Setembro Amarelo”, destinado à prevenção e esclarecimento deste tema. O vereador Raphael Rios faz um balanço das atividades desenvolvidas. Segundo ele, o resultado tem sido surpreendente e a programação se estende pelo mês de outubro, com passeatas e panfletagem a respeito do tema.   

A Secretaria Municipal de Saúde informa que em 2016 houve 42 tentativas e oito suicídios consumados. Somente no primeiro semestre de 2017 foram seis suicídios e 30 tentativas. Em Araxá, os índices são maiores que os de homicídios, só perdendo para os acidentes de trânsito. Com base nessas estatísticas, Raphael Rios resolveu propor a criação de uma lei que determina o Dia D de Prevenção ao Suicídio, 10 de setembro, para debater o assunto.

Mães do grupo Reaprendendo a Viver, de apoio às famílias que amargam a morte de um filho, fundado por Lígia Abadia de Souza, procuraram o vereador para propor uma parceria na busca de ações para o enfrentamento do problema. O projeto foi aprovado na Câmara Municipal por unanimidade e sancionado no final de agosto. Logo em seguida, teve início a campanha.

As atividades do Setembro Amarelo em Araxá são pautadas no tema “Escutar é salvar vidas”. Durante todo o mês foram realizadas caminhadas e carreatas com balões amarelos, palestras nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Centros de Atenção Psicossocial (Caps), escolas e igrejas.

“Este é um problema de saúde pública, que requer tratamento psiquiátrico e psicológico. O projeto vai trabalhar essas questões, embora não tenha a pretensão de zerar o índice. Sabemos que na grande maioria dos casos de tentativas de suicídio é possível evitar que a pessoa chegue ao ponto de tirar a própria vida. As famílias também são vítimas, porque além da perda sofrem muito pela culpa de não terem feito alguma coisa para socorrer a vítima e evitar a tragédia. O que a gente quer com esse movimento é gerar uma consciência de que a pessoa em estado de depressão precisa de carinho, atenção, de ser ouvida. Pretendemos também buscar auxílio das entidades e poder público para ampliar os equipamentos e ações de atendimento aos pacientes em sofrimento mental”, explicou o vereador.

“O Setembro Amarelo superou muito as nossas expectativas. Eu imaginava que haveria alguma atividade no dia 10, instituído como o Dia de Prevenção ao Suicídio em Araxá, mas houve atividades em todas as unidades de saúde, com a equipe da rede municipal fazendo trabalhos nos Caps também. A campanha foi para as escolas, para as ruas e redes sociais. Teve caminhadas, palestras e até as fachadas de algumas empresas ganharam enfeites amarelos, em alusão ao tema. A qualificação dos profissionais da rede municipal de saúde está sendo feita para atender a demanda e abrimos um canal com o Centro de Valorização da Vida – CVV. Notamos que é possível melhorar o atendimento às famílias em alguns pontos e vamos batalhar por isso. Tudo está surgindo através da campanha, que foi bem aceita pela população”, emendou Raphael.

O saldo positivo do Setembro Amarelo, segundo o vereador, é uma consciência maior sobre o suicídio como doença, com chances de tratamento e até cura. “O suicida se encontra em um profundo estado de depressão e quer acabar com esse sofrimento, e não com a vida. Nas conversas que tivemos com os alunos nas escolas notamos que eles ficaram muito sensibilizados com o tema, se abriram com a nossa equipe e alguns resolveram externar os problemas vividos em família. A experiência com essa campanha mostra que é possível quebrar o tabu que envolve o suicídio e salvar muitas vidas. Essa é uma questão séria e o caminho é longo, mas tenho certeza que foi bem iniciado e a gente tem que seguir enfrentando o desafio de minimizar este problema na nossa cidade”, concluiu o vereador.

 

 

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