Segunda Feira, 18 de Dezembro de 2017
 
 
SUPERANDO LIMITES
16-11-2017 | Créditos: Susana Cardoso

A belo-horizontina Graziela Tiago Souza, 38 anos, veio morar em Araxá há 15 anos.  Aos 31, aconteceu uma reviravolta na vida dessa mãe de quatro filhos no momento em que a balança apontou um peso superior a 90 quilos, após o nascimento do filho caçula. Apavorada, sentindo-se gorda, humilhada, com baixa autoestima, Graziela resolveu buscar uma solução na atividade física e na alimentação saudável.

A princípio, a ajuda veio através da esteticista Mara Miranda, ex-atleta de corrida, que a incentivou no esporte, para auxiliar no processo de emagrecimento. Com foco e determinação, Grazi conseguiu perder 23 quilos. Mas não parou por aí. Ela queria um corpo magro e definido e começou um programa de malhação para ganhar massa muscular. Mara Miranda, de quem se tornou amiga, apresentou a ela a fisiculturista Rosi Carezzanede Araxá, que participa de várias competições desta modalidade.

“Eu achava ela muito bonita, interessei-me pelo esporte e assisti a uns vídeos dela. Logo me apaixonei pelo fisiculturismo, tomei gosto e procurei me informar. Fui orientada sobre como iniciar no esporte e não parei mais”, relata. Daí a começar a competir foi um pulo. No primeiro campeonato, em maio de 2016 (estreantes), Graziela faturou o terceiro lugar. Em seguida, tentou o mineiro pela IFBB – International Federation of Bodybuilding and Fitness e foi campeã body fitness em junho de 2016.

         As competições representaram muito mais do que um troféu, segundo ela. “Os campeonatos foram muito bons para a minha autoestima. Eu estava em um momento muito complicado, desanimada, e o esporte trouxe nova motivação, passou a exigir mais de mim e livrou-me da depressão.”

A vida pacata de repente se tornou uma maratona de treinos, dietas, viagens. A estreia em campeonatos foi surpresa e a vitória, muito mais. Dando prosseguimento à recém-conquistada carreira, Grazi passou para o brasileiro, sendo selecionada entre as três primeiras de Minas. No final de 2016 ela participou do sul brasileiro, em Santa Catarina, e subiu no topo do pódio. Depois ganhou também o overall (competição entre campeões).

Como tinha sido campeã mineira, ela obteve a vaga para o Arnold Classic Brazil e o Arnold Classic South América, disputado em abril de 2017 – São Paulo (7º lugar). Grazi competiu ainda na Copa Fitness Brasil Internacional, em abril deste ano em Santos (SP), e ficou em 6º lugar. Por ter sido classificada no campeonato nacional aberto Mister Minas – Top 2 (até 1m63) e Top 3 Body Fitness Master, a atleta conseguiu a vaga para o campeonato Miss & Mister, na Colômbia, e para o Arnold, em São Paulo, em fevereiro e abril de 2018, respectivamente.

Com a ajuda do treinador Fábio Caverna - que faz toda a preparação para os campeonatos -, muita disciplina e uma alimentação supercontrolada, Graziela pretende continuar no esporte, mas a questão financeira pesa muito na carreira. “Não basta uma boa performance para as disputas, depende-se muito de patrocínio. O fisiculturismo é um esporte caro, e para o atleta se manter nele é preciso uma alimentação equilibrada, suplementos e há as despesas com as viagens”, afirma.

Hoje, além do apoio do treinador Fábio Caverna, ela conta com os patrocinadores Farmácia Santa Edwiges, Academia Corneliu’s, Victory Suplementos, Salão Mega Absoluta, nutricionista Natália Magalhães, dermatologista Alexandre Fraga, Ambar Estética, Corpore Moda Fitness. Mas para se dedicar integralmente ao fisiculturismo, são necessários mais investimentos, segundo ela. Os contatos para ajudar a atleta a prosseguir representando Araxá em competições nacionais e internacionais podem ser mantidos pelos e-mails grazielathiago@hotmail.com egrazythiago@icloud.com.

            Outro problema que Grazi teve que enfrentar é preconceito de quem torce o nariz para as suas formas musculosas. Quando vai aos lugares, ela chama à atenção. As pessoas olham, algumas criticam, comentam que isso é coisa pra homem, mas querem saber da sua história. “As pessoas não conhecem o esporte e acham que ele é mais voltado para o público masculino. Mas há várias modalidades, cada uma com uma característica diferente. Existem mulheres muito femininas que praticam o fisiculturismo”, diz. 

A reviravolta 

Feliz com a sua escolha, a atleta comemora o resultado de tanto esforço. O empoderamento, a melhora da autoestima e da qualidade de vida vieram com a prática de exercícios e alimentação adequada. “Antes eu viva numa dependência emocional, me sentia inferior e fora do padrão, pelo excesso de peso. Hoje eu tenho boa saúde, disposição muito melhor, alimentação saudável. Posso dizer que sou fisicamente diferente e emocionalmente mais forte, mais independente e mais confiante”, ressalta. 

Grazi conta como passou do manequim 48 para o 36: “Eu abandonei a comida, que era o meu prazer para suprir as frustrações, e a substituí pelo esporte. Antes eu vivia pra comer e hoje eu como pra viver. Quando estava gordinha tinha muitos problemas de saúde e hoje não tenho mais nada. É uma grande satisfação ver o que eu consegui. Recebo muitos elogios. Muita gente que não consegue perder peso, e por isso tem uma autoestima baixa, me procura e quer seguir o meu exemplo. É gratificante ser referência para as pessoas. Eu procuro motivá-las, mas não posso prescrever nada para ninguém. Cada um deve buscar o seu próprio caminho”, declara a atleta.

Jornal Correio de Araxá - Todos os direitos reservados - Desenvolvido por Juliano Martins