Segunda Feira, 18 de Dezembro de 2017
 
 
DE NOVO: Intervenções na Antônio Carlos paralisam o Centro e incomodam moradores
24-11-2017 | Créditos: Susana Cardoso

Esta semana foi de muita chuva e um dos setores mais afetados foi o trânsito na cidade, haja vista que nestes dias os moradores preferem utilizar o veículo particular como condução para o trabalho, escola, compras etc. No Centro, em virtude das obras de revitalização da Avenida Antônio Carlos, os congestionamentos, com filas de carros e diminuição do fluxo de veículos, provocou descontentamento e irritação, além de atraso nos compromissos.

Há anos as intervenções nas vias centrais, na tentativa de equacionar os problemas viários em função do crescimento da população e da frota de veículos, vêm provocando alterações no cenário urbano, obrigando os usuários das vias públicas a se desviar de suas rotas ou gastar mais tempo para chegar ao seu destino. Nesses casos, o estresse é praticamente inevitável. Alguns pedestres e condutores até estão dispostos a perdoar o incômodo, em função das melhorias propostas. Outros questionam se as constantes intervenções na principal via do Centro, a que possui maior fluxo de pedestres e veículos, são mesmo necessárias, ainda mais nesta época.

É o caso da empresária Valéria Sena, moradora do Edifício Minas Caixa. Ela desabafa: “Eu resido há 33 anos na esquina da Antônio Carlos e acompanho de perto, de camarote, no que se tornou a nossa avenida, a nossa praça. O  trânsito no entorno da avenida já era difícil após a primeira reforma e tornou-se um verdadeiro caos durante essa obra. Comerciantes mais uma vez prejudicados e motoristas e pedestres sem segurança para transitar. Tudo muito confuso e sem nenhum agente de trânsito da prefeitura para orientar o trânsito, principalmente nos horários de pico. Planejaram uma péssima época para iniciar a obra, próximo ao período de chuvas e final de ano. Os tapumes colocados deixaram os pedestres sem passeio e a travessia, mesmo nas faixas, está perigosa. Faltou planejamento para intensificar as obras nos feriados que tivemos, finais de semana e à noite, quando há menos trânsito, até para cumprir a data de entrega da obra, prevista para o dia 26 de novembro. Será? Só se for um milagre. A urgência e prioridade ali não era melhorar o tráfego? Vamos aguardar e ver se os benefícios justificam os R$ 1.091.915,26 gastos na revitalização.”

      A também empresária Maria Lúcia Ribeiro é outra que se diz muito incomodada com a lentidão do tráfego no Centro. “O trânsito está cada vez mais caótico. Não se vê nenhum guarda para disciplinar a condução de motoristas e pedestres, principalmente nos horários de movimento intenso. As autoridades competentes precisam tomar uma atitude urgente. O pior é que a Asttran finge não ver o problema. Eles não aparecem no local na hora da confusão, principalmente na Antônio Carlos, que está em obras.”

            Antônio Carlos de Andrade, 55, motoboy, opina: “Está tudo amontoado pra todo mundo, tanto pedestre quanto ciclista, motociclista, motorista e até para os comerciantes. Parece que estão refazendo uma coisa que já estava pronta. Eu entendo que essa obra, além de onerosa e incômoda, é desnecessária. Vamos ver se quando liberar o trânsito vai melhorar alguma coisa.” O ciclista Epaminondas Manoel de Assis acredita que o trânsito vai melhorar, como prometeu a Prefeitura. “Mas agora está muito difícil, porque fechou o canteiro central igual no tempo do Jeová. Demorou muito aquela obra, sempre adiando a inauguração. Agora acontece tudo de novo. A avenida está muito movimentada, porque obstruíram as ruas e o trânsito está sendo só em metade das pistas. Se eles não derem conta de liberar pelo menos as duas vias vai causar muito mais transtorno neste final de ano”, analisa.

Prazo - O secretário municipal de Obras Públicas e Mobilidade Urbana, Sebastião Donizete de Souza, reafirma que os transtornos e intervenções acontecem na via urbana “mas a gente está tentando minimizar o impacto o máximo possível. Estamos fazendo intervenções pontuais de tal maneira que não feche completamente o trânsito, ou seja, interditamos meia pista, depois voltamos para a outra meia pista. Mas esperamos que no final deste mês ou no máximo no começo de dezembro estejamos com todas essas obras finalizadas, com exceção do trecho em frente ao Colégio São Domingos. onde as obras serão feitas em janeiro, no período das férias dos alunos. Pode ser que fique alguma coisa pontual para ser feita, mas que não vai trazer nenhum transtorno”.

Donizete informa que as chuvas têm atrasado um pouco o cronograma das obras de infraestruturas, porque não tem como o pessoal trabalhar e perde-se tempo esperando secar o piso para retomar o serviço. A interligação da Rua Calimério Guimarães com a Capitão José Porfírio é a principal intervenção a ser feita, segundo ele. “Refizemos o retorno de quem sobe a Antônio Carlos com destino ao Hospital Dom Bosco e o acesso já está liberado. Estamos fazendo um pergolado perto do Banco do Brasil, para trazer certo conforto e humanização àquela praça. Vamos colocar vários bancos naquela região também e plantamos diversas árvores. Serão implantados nos próximos dias alguns semáforos em frente ao Banco do Brasil até o calçadão para poder diminuir este conflito de pedestre com veículo. As demais obras são reformas dos elevados, que estamos refazendo, e mais algumas questões pontuais que estamos executando, mas que não vão interferir tanto no trânsito da cidade”, informou o secretário.

Desta vez, o teatro e a fonte luminosa ficarão de fora da revitalização, segundo Sebastião Donizete. “Não vamos mexer ali. Temos problemas de rede elétrica, rede de esgoto e estamos fazendo intervenções pequenas naquele local, mas não dentro dessa obra. Estamos fazendo o revestimento do piso de vários locais ao longo da avenida, mas nenhuma intervenção pesada no teatro, por enquanto. O projeto é de urbanização, embelezamento e humanização da Antônio Carlos. Já colocamos árvores maiores, outras serão plantadas, vai ter uma iluminação especial, principalmente do pergolado, que vai dar um charme maior àquela praça”, assegura.

  Sinalização semaforizada – o assessor de trânsito e transporte da Secretaria de Segurança Urbana e Cidadania, Bruno Pereira Borges, informa que a frota de Araxá passou de 35 mil para 64 mil veículos nos últimos anos. Daí a necessidade de adequação do trânsito à realidade atual. “As intervenções na área central são necessárias, com correções e revisão de conceitos da engenharia de tráfego. Numa ação conjunta com Secretaria de Obras Públicas e Mobilização Urbana, foi elaborado um projeto em que foi revista a fluidez do trânsito.”

De acordo com o assessor, a primeira etapa está no final, com reparos nas passagens em nível para pedestre, porque o concreto que foi implantado sofreu alguns desgastes em função das intempéries do tempo. Essa reforma vai de encontro à lei de acessibilidade, para facilitar o trânsito das pessoas com deficiências e idosos.

O acesso da Rua Calimério Guimarães à Rua Capitão José Porfírio será novamente ofertado e haverá também a volta do semáforo na Olegário Maciel, com orientação para o pedestre. Segundo Bruno, a intenção é estender este conceito a todos os 20 cruzamentos semaforizados existentes na cidade.

  O assessor da Asttran informa que dentro do conceito de Onda Verde, visando maior fluidez do trânsito, o acesso da Rua Dom José Gaspar à Rua Santos Dumont também deverá ser provido de semáforo e em um breve futuro a intenção é que todos os cruzamentos da Avenida Antônio Carlos sejam contemplados com semáforos, semelhante ao que foi feito na Avenida Senador Montandon, com o fim de dar maior segurança aos condutores e pedestres.  

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