Postado em: 13/10/2021

Neurociência pode ajudar a melhorar a alfabetização

Estudo realizado pelo Dr. Fabiano de Abreu e a Miriam da Silva Pinto, demonstram que a existência de uma ciência básica para a educação pode melhorar a educação brasileira.

Jennifer de Paula

O cérebro humano é notavelmente capaz de aprender, não importa em qual cultura se está inserido, as mesmas regiões do cérebro são responsáveis por descodificar diferentes símbolos e idiomas. Porém, o cérebro não é um espaço em branco de acúmulo de construções culturais. Na verdade, é um local de transformação onde o velho se torna novo.

 

O Plano Nacional de Educação do Brasil (PNE), já prevê a redução da taxa de analfabetismo no país em pelo menos 50% até 2024 na esperança de erradicar o analfabetismo absoluto. Atualmente, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2020, o Brasil ainda conta com cerca de 11 milhões de analfabetos.

 

Para o PHD, neurocientista e biólogo Fabiano de Abreu, a ciência tem grandes contribuições para ofertar e melhorar o cenário educacional brasileiro. Nos últimos 30 anos, as pesquisas neurocientíficas adquiriram um status indiscutível por meio do uso de metodologias experimentais que fortaleceram dados e análises, “Com base em testes de hipótese, isolando a variável em grupos experimentais e de controle, com procedimentos bem estabelecidos reconhecidos pela comunidade científica internacional, as pesquisas romperam com o mundo da especulação e amadorismo para se colocar dentro rigor científico”, afirma o especialista.

 

De acordo com estudos realizados por intermédio de tecnologias avançadas, o neurocientista afirma que regiões específicas do cérebro precisam ser profundamente estimuladas para desenvolvimento da capacidade de leitura. Por isso, falhas educacionais puderam ser observadas e a partir disso, pode-se sugerir soluções para correção, “Cabe ao neurocientista interpretar o volume de informação capturado por esses instrumentos, a fim de entender melhor o fenômeno dentro de uma avaliação multimodal ou multidisciplinar e, assim, chegar uma resposta”, detalha Abreu.

 

O estudo demonstra ainda que a capacidade de aprender é ampla e ilimitada. O cérebro se renova e se adapta a funções necessárias, demonstrando assim, que todas as áreas do cérebro podem se envolver na aprendizagem. Para uma criança aprender, mudanças devem ocorrer nas sinapses das redes neurais de cada memória e, por terem um sistema nervoso mais plástico do que o de um adulto, com uma estimulação precoce e correta, os pequenos podem ter seu potencial de aprendizagem significativamente aumentado.

 

Sobre o autor

 

Fabiano de Abreu Rodrigues  é PhD, neurocientista com formações também em neuropsicologia, biologia, história, antropologia, neurolinguística, neuroplasticidade, inteligência artificial, neurociência aplicada à aprendizagem, filosofia, jornalismo e formação profissional em nutrição clínica. Atualmente, é diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito; Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International e membro da Federação Européia de Neurociências e da Sociedade Brasileira e Portuguesa de Neurociências.

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