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Postado em: 22/06/2022

Estudo da UFMG mostra que consumo diário de leite superior a 260 ml reduz risco de morte por doenças cardiovasculares

Desenvolvido com base nos dados do Elsa Brasil, artigo foi premiado pela American Heart Association

Assessoria de Comunicação UFMG

Tese defendida no Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG demonstrou a correlação entre o consumo de leite e a diminuição do risco de morte por doenças cardiovasculares. Parte dos resultados do estudo está publicada no European Journal of Nutrition.
A pesquisa, que se valeu de dados do Elsa-Brasil, levantamento longitudinal desenvolvido por seis instituições de ensino e pesquisa do país, incluindo a UFMG, resultou na tese de doutorado da nutricionista Fernanda Marcelina Silva, orientada pelas professoras Sandhi Maria Barreto e Luana Giatti, do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina. Foram avaliados o grupo dos chamados laticínios totais (leite, queijos, iogurtes, requeijão, manteiga, sobremesas lácteas e sorvete), alguns subgrupos (fermentados e lácteos com alto e baixo teor de gordura) e componentes do leite em separado.
Os resultados mostram que o consumo de leite superior a 260 ml para homens e 321 ml para mulheres diminui em até 66% o risco de morte por doenças cardiovasculares. Resultados parecidos foram encontrados também para laticínios totais. Entretanto, os melhores resultados foram com o leite, alimento in natura, e revelaram diferenças importantes no consumo entre os sexos.
“Por muito tempo o leite foi tratado como alimento nocivo à saúde, mas esses resultados mostram o contrário, corroborando com outros estudos mais recentes ao redor do mundo”, afirma Fernanda, que é mestre em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto e doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Medicina da UFMG.
A pesquisadora explica que, nos últimos anos, os alimentos in natura vêm perdendo espaço na alimentação do brasileiro, o que despertou o interesse para o tema. “As Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF/IBGE) detectaram aumento significativo na parcela de alimentos prontos para consumo na alimentação dos brasileiros, ao passo que há queda de alimentos in natura, incluindo o leite. Essa mudança no padrão alimentar ao longo dos anos vem acompanhada pelo aumento das doenças crônicas não transmissíveis e do risco de morte por essas doenças”, aponta.
A maior parte dos estudos disponíveis sobre o tema é proveniente de países desenvolvidos, cujo padrão de consumo alimentar difere dos hábitos no Brasil. “O brasileiro consome relativamente pouco leite e seus derivados se comparado com habitantes de países desenvolvidos, embora sejamos um país com participação importante na produção mundial de leite. Em outros estudos, vemos que há relação entre a renda e o consumo de leite, então provavelmente há uma restrição no acesso a esse alimento no Brasil”, analisa.
Tese: Consumo de laticínios e alimentos ultraprocessados e risco de morte: resultados do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil)
Autora: Fernanda Marcelina Silva
Orientadora: Sandhi Maria Barreto
Coorientadora: Luana Giatti Gonçalves
Data da defesa: 26 de maio de 2022
Leia a matéria completa em medicina.ufmg.br.

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