Postado em: 29/11/2021

Angélica Rodrigues

Crença sincera no poder da arte

Arquivo Pessoal

A libertação através da arte. Esse é o objetivo buscado pela professora de artes e flauta transversal Angélica Rodrigues Max Maximiano. Aos 55 anos, Angélica leciona a primeira matéria na Escola Estadual Maria de Magalhães e, a segunda, na Escola Municipal de Música Maestro Elias Porfírio de Azevedo, há 23 anos.

Formada em Educação Artística com licenciatura plena em música, Angélica tem pós-graduação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Ensino de Artes visuais. Ela coordena, na Escola de Música, o Grupo de Chorinho e o Chorando na Praça, além de coordenar e tocar no grupo de seresta Música na Janela. Outro grupo coordenado pela professora é o flautiano, no qual também toca.

Natural de Osasco (SP), graduou-se na cidade de Santos. Morou em Praia Grande com a cunhada e colega de trabalho, Laura Cristina. A vinda para Araxá aconteceu em 1989, a convite da amiga. No Carnaval daquele ano, conheceu o irmão de Laura, com quem namorou e acabou se casando, o que originou a mudança para a “terra de Beja”. 

INSTRUMENTO DE LIBERTAÇÃO

Na época, a professora era apenas servidora pública estadual. O ingresso na Escola Municipal de Música aconteceu despretensiosamente. Angélica foi convencida pela psicóloga Walquíria, que trabalhava com ela na Escola Luiza de Oliveira Faria, a fazer o concurso para lecionar na entidade. “Aí, fiz a inscrição no último dia, o concurso, e passei. Na época, a Dona Lucília Cardoso era a diretora da escola. Dona Liginha, então presidente da Fundação, me chamou para conversar: ‘venha, porque você é uma das aprovadas que têm formação em Música’, disse. Aceitei o desafio e já estou na escola há 23 anos”, conta.

Para Angélica, a arte deve ser um instrumento de libertação, capaz de despertar a sensibilidade do aluno. “Clichê ou não, a arte, na verdade, é o que liberta. Tento despertar no aluno, seja no aluno de música ou no aluno das aulas de artes, a sensibilidade. Fazê-lo ser sensível, ter um olhar diferenciado para qualquer arte. É no que acredito demais”, diz.

Dedicada, a professora se esforça para incutir nos alunos o amor pela boa música, desde cedo. “Vai ter um teatro às 19h. O aluno mora num bairro. Ele não vai se deslocar com a família, se não for, culturalmente falando, não pejorativamente, uma dupla sertaneja que ele goste. Se for uma música instrumental ou uma orquestra, um balé clássico, ele não vai sair da casa. Sempre, nos projetos da Escola Maria de Magalhães, eu levo os meninos ao museu. A gente estuda a vida de Calmon Barreto. Me lembro de um aluno que disse que tudo aquilo era falso. Eles não acreditam que estão vendo uma obra real daquele artista”, narra.

EVENTOS

Angélica afirma que a Escola de Música pretende continuar fazendo apresentações ao ar livre, aproveitando os espaços disponíveis. Prova disso foi a apresentação realizada no último dia 24, para comemorar a Semana da Música e os 20 anos de existência do Grupo Chorando Na Praça. “A gente deve continuar com os espaços abertos, usando o coreto que foi construído. Nós vamos fazer uma movimentação muito grande lá”, adianta.

A artista ressalta também a importância da recuperação da classe artística, no município. “Na Pandemia, grande parte das pessoas afetadas foram os artistas. Mesmo com ela não tendo acabado, está tendo uma abertura para a classe artística voltar trabalhar. É importantíssimo voltar a ter eventos, não só para a classe artística, em termos de trabalho, mas para as pessoas continuarem a ir aos locais, estarem juntas”, avalia.

Para a professora, a arte é algo vital na vida das pessoas. “Os bares estão contratando os músicos e o povo está necessitando estar junto. Teve a Expoqueijo, que foi um exemplo. Eu acredito muito que as pessoas precisam, necessitam consumir arte, estar junto., Vai ser diferente, porque tem que ter os protocolos ainda, mas as pessoas precisam sair, ir a um barzinho, ouvir uma música ao vivo, de um jeito novo. Uma música ao vivo é diferente”, conclui.

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